61% dos internautas consideram que pets são membros da família

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Você ama o seu bicho de estimação? Para quem tem um cachorro, um gato, ou qualquer outro animal em casa e é apaixonado por pets, essa pergunta parece até uma brincadeira. A boa notícia é que mais da metade da população que possui pets considera que eles são parte da família.

Curiosos sobre a vida dos consumidores junto aos pets, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) investiram em um estudo sobre esse tema. Um dos principais insights do estudo foi que o termo “vida de cão”, hoje, significa algo muito bom. Afinal, a preocupação dos humanos com seus bichinhos – até mesmo o tempo “dono” já está ultrapassado – envolve alimentação saudável, cuidados com a saúde, bem-estar físico e mimos de todo tipo.

A pesquisa, realizada em todas as capitais com internautas que “possuem” ou são responsáveis financeiros por um animal de estimação, revela que 61% dos entrevistados consideram seus pets como um membro da família. Para cuidar do bem-estar desses companheiros, eles gastam, em média, R$ 189 todos os meses – entre consumidores das classes A e B, o valor aumenta para R$ 224. Para quem recebe até dois salários mínimos, esse valor pode representar até 10% da renda familiar.

O levantamento ainda mostra que 33% dos donos de pets sempre optam por itens que vão além do básico, enquanto 21% nunca deixam de comprar algo para seus animais de estimação por falta de dinheiro.

De acordo com o estudo, 76% dos brasileiros com acesso à internet possuem bichos de estimação. Os mais comuns são os cães, que fazem parte de 79% das famílias; e os gatos, que estão em 42% dos lares. Além deles, os brasileiros costumam ter em casa outros animais, como pássaros (17%), peixes (13%), tartarugas (6%) e roedores (5%), como coelhos, camundongos, furões e porquinhos-da-índia.

A SPC Brasil e a CNDL também investigaram o perfil dos internautas donos de animais de estimação, a pesquisa mostra um relativo equilíbrio: 50% são mulheres contra 50% de homens; 54% pertencem às classes C, D e E, e 46% às classes A e B. A maioria tem entre 25 e 44 anos (58%) e moram em casas (77%). Os que moram em apartamentos somam 23% da amostra e 82% cuidam pessoalmente de seu pet.

Gente da família?

O estudo demonstra ainda que os donos não veem seus animais de estimação como mera fonte de despesas ou como mais uma responsabilidade no dia a dia. Prova disso é que apenas 8% dos entrevistados associam seus animais de estimação a gastos financeiros e somente 2% veem os animais como sinônimo de problemas ou dores de cabeça.

Por outro lado, os principais sentimentos despertados entre os entrevistados são amor (61%), alegria (61%), companheirismo (59%) e amizade (52%). Há ainda 21% que veem seus pets como o guardião da casa. Para os entrevistados, os aspectos negativos de se ter um pet são não ter com quem deixá-lo quando viajam (53%) e a sujeira em casa (47%).

A relação entre os humanos e os animais ainda vai além. Muitos contam que gostariam de integrar seus animais de estimação à outras esferas da vida cotidiana que vão além de suas residências. Por exemplo, 62% entrevistados sentem falta de espaços públicos que permitam a permanência de pets junto aos humanos – como restaurantes, lojas, shopping centers etc. Além disso, uma parcela expressiva afirma dar preferência a lugares onde a presença dos animais é permitida (46%).

Quando o assunto é o consumo, a pesquisa mostra que os produtos e os serviços mais adquiridos no dia a dia para cuidados com cães ou gatos são as rações (88%), seguidas dos shampoos e condicionadores (57%), petiscos (52%), medicamentos e vitaminas (50%) e brinquedos (44%).

Com perfil mais exigente, mais da metade (52%) dos entrevistados disse que só alimenta seus animais de estimação com rações da linha premium, que são mais adequadas para o porte e raça de seus pets, sobretudo os entrevistados das classes A e B (62%). Há ainda 21% de donos entrevistados que oferecem comida natural, feitas exclusivamente para os cães e gatos.

Cuidados veterinários

Considerando os produtos e serviços utilizados com mais frequência, a lista é liderada pelas vacinas (63%), idas ao veterinário (44%) e banhos em pet shop (37%). Outros serviços realizados constantemente e que merecem destaque são os tratamentos estéticos (13%), gastos com passeadores de cachorros (13%), tratamentos dentários (9%), tratamentos contra obesidade (8%), acompanhamento comportamental (8%), adestramento (7%) e idas a creches (7%).

Indagados sobre produtos e serviços que gostariam de adquirir, mas não o fazem por falta de condições financeiras, a pesquisa revela que planos de saúde (33%), serviços de spa (23%), assinaturas mensais de caixas com brinquedos (20%) e idas frequentes ao veterinário (20%) são os mais citados.

Para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, o tratamento humanizado dos pets é uma tendência que abre inúmeras oportunidades de negócios e evidencia a força de um mercado bilionário que já é realidade e deve se diferenciar ainda mais nos próximos anos.

“A composição da cesta de compras dos donos de animais de estimação está mudando. É cada vez maior a demanda por cuidados especializados, além de produtos que atendem às características específicas dos animais. Moda e estética, alimentação saudável, hospedagem, atendimento em casa, exercícios físicos e saúde comportamental são algumas das áreas que deverão se desenvolver intensamente nos próximos anos”, afirma o executivo.

Onde comprar?

O contrário do que muitos podem pensar, as grandes redes de pet shop não são a primeira opção dos humanos. Na verdade, 53% escolhem as pequenas lojas de bairro especializadas em produtos para animais, enquanto apenas 20% optam pelas grandes lojas. Os supermercados são citados por 16% da amostra.

Para definir o local de compra, são levados em consideração principalmente o preço (59%), qualidade dos produtos e serviços (49%) e a confiança no estabelecimento (44%). As compras à vista predominam, seja em dinheiro (42%) ou no cartão de débito (20%). O cartão de crédito é usado por 34% desses consumidores.

Saúde

O bem-estar dos animais é uma preocupação dos donos de pets. Não por acaso, 99% garantem cuidar de alguma forma da saúde dos pets. 63% zelam pela higiene, como banho e tosa, e 58% mantém os exames periódicos e as vacinas em dia. Outros 55% ainda evitam oferecer alimentos não recomendados para animais, como doces e alimentos gordurosos, enquanto 51% procuram dar uma alimentação balanceada.

De acordo com os entrevistados, as principais prioridades para quem tem um animal de estimação como cão, gato ou roedor, é proporcionar alimentação saudável (79%) aos pets, além de cuidados com a saúde (79%) e confortos para dormir (58%) – neste último caso, 23% dos entrevistados disseram que o pet costuma dormir no mesmo quarto que o dono. Os passeios (55%), atividades físicas (47%) e banhos em casa (46%) também são lembrados, indicando que a disposição dos donos vai além de meramente garantir comida e abrigo para seus companheiros.

O estudo

Em um primeiro levantamento foram ouvidas 796 consumidores com o objetivo de identificar o percentual de entrevistados que possuem animais de estimação. Em seguida, um novo levantamento foi realizado com 610 casos para identificar as características das pessoas que têm animal de estimação. Resultando, uma margem de erro no geral de 3,5 p.p para o primeiro levantamento e 4,0 p.p para o segundo levantamento. Em ambos os casos, a SPC Brasil e a CNDL trabalharam com um intervalo de confiança a 95%.

Matéria extraída do site da Revista Consumidor Moderno.