Atacarejo cria novas oportunidades para o segmento de embalagens

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No contexto econômico atualmente difícil do Brasil, muitas famílias estão buscando novos canais de compra que ofereçam preços mais atrativos. Uma nova pesquisa da empresa de pesquisa Euromonitor International indicou que um canal que ganhou destaque nos últimos anos foi o atacarejo, que vem deixando de ser um canal exclusivo da população mais baixa e ganhando a preferência também das classes A e B.

Os atacarejos são principalmente relevantes na venda de bebidas. Segundo dados da Euromonitor, esse canal (que na pesquisa é identificado como um dos principais canais dentro de Mixed Retailers) representou, em 2016, 13% das vendas de bebidas frias (como refrigerantes, água e sucos), 11% das bebidas alcoólicas (como cerveja, destilados e vinhos) e 8% das vendas de bebidas quentes (como café e chá) no Brasil.

“Embora o atacarejo ainda seja um canal em desenvolvimento no que se refere às vendas de bebidas, sua taxa de crescimento está muito acima da média do varejo tradicional. Pegue, por exemplo, o segmento de bebidas quentes, cujas vendas no atacarejo cresceu 10,5% entre 2011 e 2016 enquanto a média do varejo (excluindo vendas online) foi de 1,6%”, comenta Angelica Salado, analista sênior de pesquisa da Euromonitor.

Salado comenta que a configuração de um atacarejo, entretanto, é bastante diferente a de um supermercado na questão de exibição dos produtos nas lojas e no manuseio dos itens. “É muito comum o uso de empilhadeiras nos atacarejos uma vez que elas facilitam o acesso às prateleiras mais altas. Por consequência, isso exige que os produtos tenham maior resistência nas embalagens. Além disso, as prateleiras dos atacarejos tendem a ser muito maiores e mais altas, trazendo diversas marcas lado a lado ou empilhadas. Isso, por sua vez, dificulta a visualização das marcas e, consequentemente, exige embalagens visualmente atraentes e fáceis de serem identificadas”, comenta.

Não coincidentemente, várias marcas de cervejas modificaram suas embalagens, alterando logo e identidade visual, para melhor se posicionarem junto ao consumidor e também para atenderem as demandas desse novo canal em destaque. A pesquisa da Euromonitor apresenta como cases de sucesso que valem a pena comentar o da Heineken, que aumentou o tamanho da sua estrela vermelha icônica da embalagem, e da Itaipava, que trouxe novas cores para sua embalagem e também incorporou uma coroa como símbolo da marca.

Angelica afirma que, embora o desenvolvimento de novas embalagens exija um alto investimento, as marcas precisam considerar se seus produtos atendem às novas demandas do consumidor no atacarejo. “É importante ressaltar que esse canal certamente deve se consolidar ainda mais nos próximos anos, ainda que o consumidor volte a ter uma renda parecida dos anos pré-crise. Para as marcas, isso significa que essas inovações de embalagem devem permanecer relevantes por muitos anos”, finaliza.

Matéria extraída do site da ABRE.