Brasileiros não querem produtos originários de sofrimento animal

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Pesquisa encomendada pela ONG Mercy For Animals aponta que 81% das pessoas se preocupam com a forma como os animais são tratados pela indústria alimentícia. O levantamento mostra também que 72% acham que o consumidor deveria estar ciente sobre a crueldade contra animais envolvida na produção de comida. Para 57%, restaurantes e supermercados deveriam parar de oferecer produtos que envolvem sofrimento para os animais. A pesquisa foi realizada pelo instituto Ipsos entre os dias 4 e 11 de agosto, com 1001 internautas de ambos os sexos, com 18 anos ou mais.

Além de perguntas genéricas, o questionário exibia uma foto do sistema de produção de ovos “gaiola de baterias”, em que galinhas passam a vida confinadas em espaço mínimo. Perguntados sobre o que achavam do confinamento de galinhas em gaiolas limitando seus movimentos, 63% dos entrevistados consideraram absolutamente inaceitável tal procedimento, 19% parcialmente aceitável, 9% não tinham opinião, 7% achavam parcialmente aceitável e 3% absolutamente aceitável.

Fundada em 1999 nos Estados Unidos, a Mercy for Animals é a maior organização do mundo a combater maus tratos contra os chamados animais de fazenda (criados para consumo). Para atingir esse objetivo, a ONG investiga e documenta com imagens as condições de vida e de abate em fazendas e criadouros. Divulga esses materiais como forma de sensibilizar os consumidores e através deles pressionar a indústria e o comércio a banirem as condições consideradas cruéis.

Para Lucas Alvarenga, vice-presidente da ONG no Brasil, a pesquisa mostra que o consumidor brasileiro “está mais consciente e disposto a pagar mais pelos produtos, se souber que sua produção não depende de sofrimento animal. E deseja mais transparência dos estabelecimentos nesse comércio”.

“Essa demanda do consumidor pode mudar a atitude do comércio”, afirma.
“Apesar de o padrão de produção brasileira aceitar as gaiolas em bateria, o consumidor mostra que apoia mudanças. Não se trata de banir os ovos do mercado, mas de produzir dando vida digna aos animais”, diz. “O levantamento aponta um caminho quando mostra que 81% dos entrevistados acham que estabelecimentos deveriam parar de oferecer produtos que dependam de crueldade animal, mesmo que isso faça elevar os preços do produto”.

Matéria extraída do site do Jornal O Estado de São Paulo.