Como incluir a Black Friday no calendário promocional

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Nos últimos anos, algumas redes de supermercado já têm participado da famosa Black Friday, que acontece no final de novembro. Em 2014, o Walmart, por exemplo, ofereceu descontos entre 40% e 70% em bebidas, higiene e beleza, além dos produtos eletrônicos. No Pão de Açúcar, os produtos mais vendidos durante a ação foram bacalhau e uísque, além de cervejas importadas, vinhos, filé mignon e queijos nobres.

A data, que faz bastante sucesso nos Estados Unidos, é mais conhecida por oferecer grandes descontos em eletrodomésticos e eletrônicos, mas pode ser uma estratégia interessante para os supermercados ampliarem suas vendas e conquistarem novos clientes.

Para Marcelo Minutti, professor de empreendedorismo e inovação em marketing digital do Ibmec/DF, a data é importante principalmente por preceder as compras de Natal. “Realizar uma ação durante a Black Friday pode ser uma forma de fazer o consumidor antecipar a compra de itens como cestas e alimentos típicos das festas de final de ano”, explica. Entre esses produtos, estão panetone, bacalhau, castanhas e importados. “Nos últimos anos, a Black Friday tem sido uma ação crescente no varejo. Vemos que ela ajuda na construção de marca”, afirma. O professor sugere ao supermercadista trabalhar com soluções de consumo, como itens para churrasco, entre outros. Também é possível incluir produtos que estão com estoque alto na loja. Os itens relacionados às viagens de final de ano, como cadeiras de praia, guarda-sóis, protetores solares e bebidas comemorativas também podem ser incluídos.

Apesar de ser mais difundida no comércio eletrônico, a data pode ser uma boa oportunidade para as lojas físicas. “Como os supermercados brasileiros ainda têm uma participação pequena no e-commerce, os varejistas podem vender produtos a preços atrativos para atrair o consumidor até a loja naquele dia específico”, explica Pedro Guasti, relações institucionais do Buscapé Company. Para ele, é importante para o supermercadista “pegar carona em uma data que está consolidando sua importância no varejo brasileiro”. “Se o supermercadista conseguir uma boa margem de negociação com os fornecedores, ele pode incluir qualquer tipo de produto na ação”, comenta. Para ele, é interessante trabalhar com categorias que o cliente possa comprar em grandes volumes (como óleos e fraldas) e, assim, identificar claramente a vantagem da promoção.

Novas experimentações
Participar da Black Friday também é interessante para atrair novos clientes. Em um primeiro momento, o consumidor pode visitar a loja por causa da ação e, a partir dela, lembrar do estabelecimento em outros períodos. A Black Friday também ajuda a incentivar o público a experimentar. “Nos Estados Unidos, a ação serve basicamente para renovar os estoques das lojas. Como isso não se aplica ao varejo alimentar, o supermercadista pode usar a data para gerar experimentações de categorias que o consumidor não tem o hábito de consumir”, explica Jorge Inafuco, diretor associado da PwC e especialista em varejo em consumo. “É possível incluir na ação produtos como cervejas premium, destilados e outros itens com alto valor agregado”.

Cuidados a serem tomados
O supermercadista deve ficar atento a algumas questões antes de participar da Black Friday. “É preciso ter certeza de que a oferta é atrativa, senão a loja pode sair prejudicada em relação aos concorrentes”, explica Minutti, do Ibmec. As falsas ofertas também devem ser evitadas. “A Black Friday é conhecida por oferecer grandes descontos, de 30%, 40%, 50% ou mais”, afirma o professor.

Outro cuidado é não passar a impressão de que a oferta não é atraente. Isso, com a rápida disseminação de informações através das redes sociais, pode gerar danos graves ao nome da rede.

O varejista também deve se atentar aos estoques. Se não tiver o produto anunciado para vender, a loja pode ter sua reputação prejudicada. “O supermercado não pode frustrar o consumidor”, afirma Guasti.

Participar da Black Friday pode ser interessante para ampliar as vendas, sobretudo num ano de cenário econômico ruim como 2015. Mas é preciso planejar adequadamente as promoções: das compras à exposição nas lojas.

Matéria extraída do site da revista Supermercado Moderno.