Como vender beleza masculina sem estereótipos

20

O homem latino-americano, principalmente o brasileiro, está se conscientizando da necessidade de manter uma boa aparência e quebrando o tabu que o impedia de ser vaidoso. Segundo a pesquisa Men’s Grooming in Latin America, da Euromonitor International, as vendas de itens de beleza masculina no Brasil crescerão 36,3% até 2021. Porém o varejista precisa rever seus conceitos na hora de atender esse público. “O desafio é quebrar estereótipos. Produtos voltados aos cuidados com a pele, por exemplo, ainda são muito associados à feminilidade. O objetivo é levar o homem a experimentar produtos multifuncionais, um primeiro passo para explorar a vaidade”, diz Elton Morimitsu, analista sênior da Euromonitor, que aborda detalhes sobre essa categoria.

Quais fatores apontam que latino-americanos vão liderar as compras de itens de beleza?

A posição da América Latina no cenário atual se deve em grande parte pela representatividade das vendas nas chamadas categorias mais tradicionais quando falamos do universo masculino: fragrâncias, desodorantes e cuidados com a barba. Essas categorias continuarão a crescer, mas em menor velocidade quando comparadas a outros segmentos menores, como de skin care, hair care e bath and shower. Os homens estão se conscientizando da necessidade de manter uma aparência melhor e percebendo que não é tabu admitir serem mais vaidosos. Ainda que seja bastante forte na região, o machismo vem perdendo força ao longo dos últimos anos por meio de discussões mais abertas sobre as diferenças de papéis que homem e mulher devem desempenhar. Esse movimento acaba abrindo espaço para que os homens passem a adotar uma nova postura em relação ao segmento de beleza. Ele começa a testar novos produtos e incorporá-los no seu dia a dia.

Como homens e mulheres se diferenciam na hora de comprar itens de beleza?

Eles buscam maior conforto e facilidade, enquanto elas compram por impulso. Segundo pesquisa Consumer Survey de 2016, as mulheres compram mais que os homens. A frequência de compras deles é menor que a delas. E eles gastam menos tempo.

Para o supermercadista, qual é o desafio?

O desafio da América Latina consiste em quebrar estereótipos. Produtos voltados aos cuidados com a pele, por exemplo, ainda são muito associados à feminilidade. Para reverter essa percepção, é interessante trazer na gôndola alternativas que exploram os benefícios dos produtos, como proteção solar. O objetivo é levar o homem a experimentar produtos multifuncionais, sendo esse um primeiro passo para explorar a vaidade. Talvez seja também necessário estabelecer um corredor/seção dedicada a produtos masculinos para que o consumidor visualize como um todo as opções disponíveis a ele. A quebra em várias gôndolas que mesclam produtos femininos pode confundir o consumidor e até mesmo inibi-lo de analisar os produtos com maior atenção.

Que outras estratégias o varejo pode adotar?

Além de ter uma seção masculina nas lojas, é interessante também motivar a experimentação do público masculino. Uma maior presença de promotores dedicados a explicar os diferenciais de cada produto ajudaria o consumidor a sanar eventuais dúvidas. Vemos que ações mais direcionadas em salões de beleza e barbearias para explicar e demonstrar ao cliente os benefícios de produtos têm um efeito muito positivo nas vendas e na fidelização. Adotar tática similar em supermercados pode vir a ser uma estratégia benéfica para o desenvolvimento da categoria.

Matéria extraída do site da Revista Supermercado Moderno.