Inovação é constantes nas embalagens

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A importância das embalagens é indiscutível, elas são os itens mais produzidos pela indústria mundial. Sem embalagens, 80% dos produtos voltados para os mais distintos usos não saem das fábricas. Nesse cenário, o plástico aparece como matéria-prima competitiva. Graças às características bastante versáteis das diversas resinas, tem conseguido aumentar sua participação nesse nicho de mercado a cada ano. Hoje está presente em mais de 40% dos casos e a demanda promete ser crescente.

A opinião é de Fábio Mestriner, professor de design de embalagens na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Ex-presidente da ABRE e com grande experiência no setor, ele proferiu palestra sobre o setor em evento organizado pela Associação de Distribuidores de Resinas Plásticas (ADIRPLAST).

Para Mestriner, aproveitar as oportunidades que surgem em todos os momentos nesse nicho de mercado é muito recomendável para os transformadores tomarem iniciativas, estarem à frente da concorrência. É preciso estar atento às tendências e oferecer aos clientes soluções inovadoras, capazes de se transformar em sucessos de vendas. O nicho de negócios vale a pena. “As dez maiores empresas de produtos para consumo do Brasil contam com orçamento para embalagens acima de R$ 2 bilhões por ano”.

O professor defende que vários fatores sejam considerados na hora de se desenvolver um projeto. As embalagens são essenciais para a proteção do produto, precisam ser práticas, fáceis de transportar e de serem armazenadas. Seu custo tem que ser compatível com o do produto a ser entregue e competitivo em relação aos materiais concorrentes. Um aspecto muito importante e não raro esquecido: a embalagem é a forma adotada para destacar o produto perante a concorrência, ela agrega valor ao produto.

“Em torno de 90% dos produtos expostos em supermercado não contam com verba para comunicação. Existem produtos famosos, como o Nescau e os iogurtes da Danone que não estão na mídia”, exemplifica. O professor ressalta que existem empresas que aproveitam a embalagem para destacar outros produtos que fabricam ou para atrair o consumidor para o seu site. “A Fiat Lux coloca em suas caixas de fósforos propaganda para os barbeadores descartáveis que fabrica. Isso é muito positivo”.

Para comprovar o grande potencial dos negócios nesse segmento, Mestriner lembra que todo o produto está presente em uma categoria. “Temos margarinas, sabões, biscoitos”. Dentro de cada categoria, uma tendência tem se mostrado sem volta. Cresce o número de produtos segmentados. “No passado existiam os sabonetes comuns. Hoje existem sabonetes em barra, líquidos, com formulações enriquecidas com hidratantes, ingredientes indicados para diferentes tipos de pele”. A cada lançamento surge a necessidade de se criar um tipo novo de embalagem.

Nem sempre as melhores soluções são as mais simples. A sofisticação cai bem em inúmeras ocasiões. “De acordo com o instituto Nielsen, 75% dos produtos líderes são os mais caros. São os casos do OMO, Coca-Cola e outros”, lembra. Ele aponta exemplos inovadores. O comércio de comidas prontas está crescendo de maneira impressionante em todo o mundo e exige embalagens funcionais. A indústria de cosméticos exige soluções que cativem os consumidores, em especial as mulheres, responsáveis por 75% das compras desse segmento. “Uma marca de xampu infantil lançou um frasco que indica se a temperatura do banho do bebê está ideal e cuja tampa ao mesmo tempo é um chocalho”.

De acordo com o professor, o constante avanço da tecnologia das embalagens plásticas permite soluções competitivas dentro do mercado. Hoje estão disponíveis filmes com barreiras a diversas adversidades, materiais resistentes ao calor, capazes de produzir peças opacas, coloridas ou transparentes, com ou sem brilho. Os plásticos rígidos ganham melhores características mecânicas e de resistência química, ao calor, entre outras propriedades. Tais avanços permitem à indústria de embalagens um arsenal muito amplo para se investir em novas soluções. A criatividade é o limite.

Outra vantagem das resinas apontada pelo professor é o fato delas serem recicláveis, fator cada vez mais valorizado pelos consumidores. “As embalagens hoje representam 29,7% do resíduo sólido mundial; desse total, 60% volta às fábricas. E o plástico, hoje, com imagem um tanto negativa em relação à poluição ambiental, permite que esse índice cresça nos próximos anos”.

Matéria extraída do site da ABRE.