Marmitas ganham mais adeptos e podem elevar as vendas

0

A inserção de mulheres no mercado de trabalho e, consequentemente, as rotinas cada vez mais atribuladas fizeram com que milhões de pessoas passassem a fazer suas refeições fora de casa. Porém, esse cenário vem mudando, como aponta alguns indicadores. Um levantamento da Kantar Worldpanel revelou que 13% dos consumidores diminuíram os gastos com refeição fora de casa no ano passado. Em consequência disso, o segmento de bares e restaurantes registrou queda de 8,4%, segundo dados da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) em 2014.

A redução do consumo de alimentos fora dos lares tem como principal fator a busca por um modo de vida mais saudável, que deixa de lado o conceito fast food e investe em refeições em que a procedência dos alimentos é conhecida.  Esse movimento já ganhou tantos adeptos que até os programas de culinária e celebridades ligadas à gastronomia passaram a abordar o tema em suas programações. É o caso da apresentadora Bela Gil, que divulgou dicas de como montar uma marmita perfeita para o dia a dia. “Eu acho que a melhor solução para quem quer fugir das opções não saudáveis e tentadoras é ter sempre uma opção confiável à mão”, afirmou a chef.

Além da tendência de buscar alimentos mais saudáveis, o desaquecimento da economia é outro fator que influencia as pessoas a preparar suas próprias refeições. Porém, esse hábito não fica mais restrito a consumidores com poder de compra reduzido e já foi incorporado pelas classes mais altas.

Se antes as “quentinhas” tinham uma conotação negativa, hoje elas são vistas como sinônimo de saúde e exibidas por pessoas reconhecidas como descoladas e modernas. Para atender a esse público, a dupla de empresários Carlos Ferreirinha e Carlos Otávio da Costa inaugurou a primeira loja especializada em lunch bags e lunch boxes do Brasil, ou seja, acessório com design para os adeptos das “marmitas chiques”. O projeto, que começou há três anos, contabiliza cinco lojas físicas e já tem produtos disponíveis no comércio eletrônico. “Os hábitos de consumo foram modificados em todos os segmentos. É natural a busca, mesmo que não seja tão racional, por transportar os alimentos em produtos descolados, modernos, inteligentes e bonitos”, explica o sócio-fundador, Ferreirinha.

A marca oferece utensílios como garrafas térmicas que mantêm temperatura quente por 12 horas e fria por 24 horas, sem transpirar, além de recipientes que podem ser levados ao micro-ondas e porta talheres que são montados como parte da marmita. Segundo o empresário, esse já é um hábito amadurecido em países da Europa, nos Estados Unidos e no Japão, mas no Brasil o movimento ainda é muito embrionário.

Se, de um lado, estabelecimentos como bares e restaurantes amargam a redução do faturamento, do outro, os supermercadistas comemoram esses números, uma vez que são os principais fornecedores dos ingredientes dos chefs caseiros. “Esse comportamento cada vez ganha mais adeptos, e, inclusive, um perfil de classe social alta muito interessante que deveria ser alvo da cadeia varejista, ou seja, o perfil que busca um alimento mais saudável e que tem poder de compra”, afirma Simone Terra, sócia-diretora da STerra Soluções de Mercado e docente da ESPM-RJ.

Esse novo hábito, portanto, pode trazer boas oportunidades aos supermercados. Veja abaixo o que pode ser feito para incentivar o consumidor a preparar a sua quentinha, além de outras possibilidades:

  • Segundo Simone Terra, é possível, por exemplo, estruturar a rotisserie para esse público. O ideal é que o setor fique próximo da entrada, em local de considerável fluxo de pessoas e, se possível, tenha um caixa exclusivo. “Assim as pessoas podem adquirir rapidamente o que querem, sem necessariamente ter que entrar no estabelecimento, passar por diversas seções e aguardar na fila do caixa juntamente com quem fez compras grandes”, explica.  Afinal, nem todo “marmiteiro” tem disponibilidade para preparar sua própria comida (ou pelo menos tudo o que irá levar para o trabalho).
  • Esse conceito pode ser utilizado em todos os setores de alimentos – como no açougue, por exemplo. A ideia é que consumidores, independentemente de suas necessidades específicas, encontrarem soluções rápidas e adequadas, afirma Simone.
  • A consultora aconselha também a adoção de peças de comunicação direcionadas para esse público. “Podem ser feitas ações de folheteria e de posicionamento de marketing. Se o posicionamento da loja for muito qualitativo, mais diferenciado e voltado para a classe alta, podem ser criadas, inclusive, seções dentro do ponto de venda direcionadas aos alimentos funcionais de nicho”, aconselha Simone.
  • Dar sugestões de cardápios variados, sempre equilibrados, para a semana inteira também pode agradar o consumidor. Afinal, não é fácil pensar em alternativas diferentes para cada dia. As refeições recomendadas podem ser divulgadas em cartazes, panfletos ou nos tabloides de oferta. É possível realizar cross merchandising com os ingredientes ou formar kits.
  • O setor de hortifrútis está repleto de oportunidades. Ali há várias opções para as pessoas que desejam levar uma “quentinha” mais saudável para o trabalho. Sugira ao consumidor legumes, recomendando sempre cozinhar no vapor para manter a composição nutricional dos alimentos. Sugestões de verduras para saladas “verdes” também podem ser bem aceitas.
  • Vale lembrar o cliente de levar as saladas em um recipiente separado da comida quente. Outra dica é orientá-lo a temperar apenas na hora de comer. Nesse caso, também é interessante dar dicas de temperos, como manjericão, alecrim, salsinha, pimenta, coentro, orégano, tomilho, gengibre, entre outros. É interessante ainda divulgar os benefícios à saúde deles. O coentro, por exemplo, é rico em vitamina C e ferro.

Temporárias ou não, as marmitas representam uma oportunidade de vender mais, conquistar novos públicos e fidelizar os antigos. Cabe, agora, aproveitar essa oportunidade.

Matéria extraída do site da revista Supermercado Moderno.