Os 10 pontos-chave para o design de embalagem

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1- Conhecer o produto
A embalagem é expressão e atributo do conteúdo. Não podemos desenhá-la sem conhecer profundamente o produto. Assim, as características, a composição do produto,  seus diferenciais de qualidade e principais atributos, incluindo seu processo de fabricação, precisam ser compreendidos.
Uma visita à fábrica é necessária e recomendada. A história do produto, o material de divulgação, anúncios, pesquisas de embalagens antigas, tudo isso precisa ser levantado.
Quanto mais e melhor conhecermos o produto, maior será a chance do nosso trabalho vir a ser a verdadeira expressão de seu conteúdo. Sem isso, ocorre, e vemos com muita frequência no mercado, embalagens de fachada semelhantes às casinhas dos filmes de bangue-bangue.

2- Conhecer o consumidor
Saber quem compra e utiliza o produto é fundamental para estabelecer um processo de comunicação efetiva por meio da embalagem.
As características desse consumidor, seus hábitos e atitudes em relação ao produto e principalmente a motivação que o leva a consumi-lo são pontos-chave a serem conhecidos pelo designer e os profissionais responsáveis pelo projeto que devem procurar compreender por que este consumidor compraria o produto.
O conhecimento do consumidor é tão importante que projetos de grande responsabilidade devem contar sempre com o apoio de pesquisas especializadas em avaliar a relação desse consumidor com a embalagem.

3- Conhecer o mercado
O mercado onde o produto participa tem suas características próprias. Tem história, dimensões e perspectivas.
É um cenário concreto que precisa ser conhecido, estudado e analisado para que o design não seja um salto no escuro.
O fabricante do produto deve fornecer as informações que dispuser sobre o mercado ou buscá-la nas fontes de pesquisa para subsidiar o projeto de design.

4- Conhecer a concorrência
Por melhor e mais bonito que seja o design, de nada ele adiantará ao produto se não conseguir enfrentar a concorrência no ponto de venda.
Conhecer in loco e as condições em que se dará a competição é fundamental para o design de embalagem.
Estudar o ponto de venda, cada um dos concorrentes, analisar a linguagem visual da categoria e compreendê-la são pontos-chave para a realização de projetos de sucesso.
O estudo de campo deve ser realizado com critério e dedicação pelo designer.

5- Conhecer tecnicamente a embalagem a ser desenhada
A linha de produção e de embalamento, a estrutura dos materiais utilizados, as técnicas de impressão e decoração, o fechamento e a abertura, os desenhos ou plantas técnicas da embalagem a ser desenhada precisam ser conhecidos meticulosamente. Tanto para se obter o máximo dos recursos disponíveis como para evitar erros que podem prejudicar o projeto.

6- Conhecer os objetivos mercadológicos
Saber por que estamos desenhando uma embalagem e o que estamos buscando com o projeto é outro ponto-chave que precisa estar bem claro.
Os objetivos de marketing, a participação de mercado, o papel da embalagem no mix de comunicação e as diretrizes comerciais do produto precisam ser conhecidos para estabelecer os parâmetros que nortearão o projeto e deverão ser atendidos pelo design final apresentado.
É preciso ter uma meta a ser buscada para poder avaliar os resultados alcançados.

7- Ter uma estratégia para o design
Todos os itens anteriores, uma vez compreendidos, precisam ser organizados e transformados em uma diretriz de design com uma estratégia clara e consciente.
Antes de desenhar é preciso pensar.
A função da estratégia na metodologia é fazer com que as premissas básicas do projeto sejam equacionadas e indiquem uma direção a ser seguida no processo de design para responder aos projetos traçados.
Esse é o ponto central da nossa metodologia, pois de nada adianta todo o esforço empreendido no projeto se o resultado final não for competitivo.
Posicionar visualmente o produto de forma que se obtenha vantagem competitiva no ponto de venda é o melhor que um projeto de design de embalagem pode alcançar e a estratégia de design deve sempre buscar este objetivo.

8- Desenhar de forma consciente
Para atender às premissas estabelecidas e os objetivos mercadológicos do projeto, é preciso que o trabalho de design seja realizado de forma consciente e metódica, e não baseado no impulso criativo.
A criatividade é necessária e desejável, mas precisa ser exercida a favor dos objetivos estratégicos do projeto.
O designer deve aproveitar cada oportunidade para evoluir e, por isso, precisa empenhar-se de verdade em cada projeto, buscando superar o que já fez no passado.
Cada projeto deve ser tratado com cuidado e dedicação para ser um ponto forte do produto que nos foi confiado.

9- Trabalhar integrado com a indústria
Conhecer a indústria que vai produzir a embalagem é uma das proposições básicas para o sucesso do projeto. Muitos problemas que normalmente ocorrem em projetos de embalagem são evitados com essa providência simples. Porém, o grande benefício do projeto integrado é a possibilidade de encontrar melhores soluções, pois, por meio da indústria, as novas tecnologias chegam aos designers.
O trabalho integrado do designer com a indústria permite à embalagem final se beneficiar da experiência e das melhores soluções tecnológicas em prol do cliente.

10- Fazer a revisão final do projeto
Quando a embalagem final chegar ao mercado, o designer e o cliente devem fazer uma visita a campo para avaliar o resultado final e propor eventuais melhorias ou ajustes que possam ser incorporados às novas produções e reimpressões.
Só no ponto de venda, em condições reais de competição, é que podemos avaliar o resultado final alcançado. Ao fazermos isso, estaremos evoluindo nosso trabalho e evitando pequenas falhas no futuro.

Matéria extraída do site Design Brasil. Texto de Fabio Mestriner.