PODEMOS TER EMBALAGENS MELHORES?

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Já percebeu quanta cor, splash, efeitos e tipografias diferentes têm em algumas embalagens? Geralmente são embalagens mais populares ou com posicionamento de preço mais baixo. E quando alguém sugere fazer alguma coisa mais simples, direta e até sofisticada, logo dizem que não conversa com o target ou que ele não vai entender.

Mas quem disse que isso é verdade? Sim, as pesquisas com os consumidores dizem, mas, lá no fundo, o problema está mesmo só na nossa cabeça…

Nosso cérebro é programado para criar padrões e não entrar em colapso com tanta informação que recebe. Está sempre a procura de coisas familiares e agrupa tudo em categorias para facilitar o processamento.

Temos nossos códigos culturais, que são a soma de tudo o que aprendemos e coletamos ao longo dos anos enquanto pessoas numa sociedade e tornamos isso nossa base de comparação para tudo o que vamos vivenciar e experimentar.

Assim, quando procuramos por, digamos, produtos baratos, nossa database nos diz que produtos com milhares de fontes diferentes, dégradés e splashes tendem a ser mais baratos. Numa época em que todos estão procurando por mais eficiência e economia, e repensando o consumo, ser mais barato é uma boa – e isso parece legal. O lado perigoso disso é que nos acostumamos a essa estética e acabamos propagando esses códigos.

Os produtos de limpeza doméstica são bons exemplos. Quanta informação precisa ter na embalagem para falar das características do produto e que ele funciona?

A boa notícia é que podemos mudar (e ajudar os outros a mudarem também!), aprendendo novos padrões. Nosso cérebro, apesar de criar atalhos para não se sobrecarregar, também carrega a capacidade de criar novas conexões sempre e de continuar aprendendo mesmo depois de mais velhos. Essa capacidade vale para todas as pessoas, classe A ou C, do norte ao sul.

Ao mudar uma embalagem desse mesmo mercado de limpeza doméstica, talvez estejamos alterando um padrão, uma repetição de comportamentos, criando novos códigos que serão apreendidos e absorvidos pelas pessoas. O consumidor, ao apreender esse novo código, torna esse evento único em um novo padrão.

Uma mudança simples, que pode mudar os códigos de uma categoria – e até mesmo ditar novas regras de uso e de consumo de uma sociedade.

Matéria extraída do site da ABRE.