Porto Alegre é o que mais faz soro de leite

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A produção de 1.500 toneladas de soro de leite em pó por mês deu ao Laticínios Porto Alegre, em Ponte Nova, na Zona da Mata mineira, a marca de maior produtor desse item no país. Com duas torres de secagem para leite, o soro vai, principalmente, para cerca de 30 indústrias de alimentos – de chocolates e biscoitos. Mas a grandeza do Laticínios Porto Alegre não para por aí.

Na linha de refrigerados – muçarela, requeijão, manteiga e queijos finos – a produção é de 2.000 toneladas por mês, e ainda tem 6 milhões de litros de leite UHT (de caixinha), além de creme de leite e achocolatado, com 200 toneladas de cada.

A fase atual é de treinamento intenso da mão de obra, aproveitando o momento para qualificar ainda mais os mil empregados. “Desde o final de 2011, quando inauguramos outra unidade em Ponte Nova, não paramos em nenhum ano de crescer”, conta o presidente da empresa, João Lúcio Barreto Carneiro, 48.

E, para mostrar a constante agitação da fábrica, ele dispara na cronologia: “Fizemos investimentos para a unidade em 2011; em 2012 lançamos o leite longa vida; em 2013 começamos uma nova ampliação, aumentando a parte de queijos, achocolatados e creme de leite, concluindo a obra no final de 2014. Agora já estamos ampliando o depósito para aumentar a produção de leite UHT, achocolatado e creme de leite, então já estamos em obras novamente”.

Investimentos. Para fazer a fábrica sempre crescer – a companhia tem uma segunda unidade em Mutum, no Rio Doce –, Carneiro informa que neste ano estão sendo investidos R$ 20 milhões, sendo R$ 10 milhões na unidade de Ponte Nova e R$ 10 milhões na área comercial. “Adquirimos uma área em Belo Horizonte para poder melhorar a distribuição e adquirimos mais 26 caminhões da marca Iveco para poder aumentar a logística na região metropolitana da capital. Vamos agora para 74 caminhões”, explica.

Por conta da expansão, novas contratações de funcionários vão acontecer. “Vamos aumentar em torno de 5% a 10% o quadro contratando cem funcionários tanto na área comercial como na área industrial”, diz.

O próximo passo, de acordo com Carneiro, é entrar no mercado de São Paulo. Atualmente os produtos Porto Alegre estão em 4.000 pontos de venda, atendendo os mercados dos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Se 2015 foi um bom ano, Carneiro não tem dúvida disso. “Nossa meta era crescer 25%, vamos crescer em torno de 15% a 18% e estamos aumentando o volume em torno de 5%”, calcula.

Em termos de faturamento, Carneiro já tem a conta feita. Vai faturar R$ 500 milhões neste ano, sendo que em 2014 foram R$ 410 milhões. “E, no ano que vem, o projeto é faturar R$ 600 milhões e aumentar a captação em mais 100 mil litros de leite por dia”, planeja o confiante Carneiro.

Embriões

Genética. O presidente do Laticínios Porto Alegre, João Lúcio Barreto Carneiro vai fornecer embriões para os produtores que vendem leite para o laticínio. O produtor vai pagar R$ 460 por prenhez positiva na vaca.

Empresa começou na fazenda

Em 1991, o produtor João Lúcio Barreto Carneiro começou a processar o próprio leite na fazenda Porto Alegre, que é da família e também fica em Ponte Nova. “Na fazenda, fazíamos muçarela e leite barriga mole (pasteurizado)”, diz Carneiro. Mas o início do negócio foi difícil. “Comecei investindo o próprio recurso da fazenda”, lembra. Três anos depois, o laticínio transferiu-se da fazenda para a cidade.

A atividade na fazenda de 300 hectares iniciou-se com os 1.500 litros de leite por dia que Carneiro produzia. Hoje, a fazenda continua em operação com 3.500 litros de leite por dia.

Negócios. Carneiro admite que não esperava crescer tanto assim. “Nosso objetivo foi sempre trabalhar muito. Eu sou de uma família de oito irmãos, tenho um sócio na empresa, e temos outros negócios além do laticínio, que são a transportadora Porto Alegre, Rações Porto Alegre, com 2.000 toneladas por mês, e granja de suínos, com 2.000 matrizes”.

E Carneiro está sempre preocupado com a qualidade. “É preciso melhorar mais o negócio a cada dia para continuar sendo competitivo no país”.

Matéria veiculada no Jornal O Tempo, 05 de novembro de 2015.