Redução de açúcar: mais saúde e menos cáries, segundo a OMS

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Organização Mundial de Saúde propôs diminuição do consumo de açúcar, baseada em estudos científicos

Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE indicam que a participação do açúcar adicionado na dieta dos brasileiros é de 16% das calorias. No período de 1987 a 2003, esse valor não se alterou, porém, aconteceram mudanças em relação à fonte do açúcar consumido. Observou-se a substituição do uso de açúcar refinado e outros adoçantes calóricos (como mel) para adoçar bebidas ou em preparações culinárias pelo açúcar adicionado pela indústria em refrigerantes, doces, balas, chocolates, biscoitos, etc.
A saúde bucal é uma das principais preocupações da Organização Mundial da Saúde, que divulgou novas diretrizes sobre a ingestão de açúcar. O ideal é reduzir o consumo de açúcar em todas as suas formas para menos de 10% de todas as calorias diárias ingeridas. Em um passo adiante, reduzindo ainda mais esse consumo para 5% – seis colheres de chá por dia –, o ganho será maior.
Em uma consulta pública recém-lançada, a OMS sugeriu a redução no consumo diário de açúcar que vigora desde 2002. A proposta é que as pessoas reduzam o consumo diário para menos que 5% da ingestão energética total – isso significa que adultos teriam benefícios para a saúde se limitassem o consumo diário a aproximadamente 25 gramas (algo em torno de seis colheres de café).
Um estudo publicado pela organização no ano passado diz que, para combater efetivamente o surgimento de cárie, a recomendação global é reduzir mais ainda a ingestão de açúcar, restringindo a 3%. Além do açúcar que usamos para adoçar bebidas e preparar sobremesas, também os alimentos que levam açúcar em sua composição, como refrigerantes, doces, balas, molhos, ketchup, etc., contribuem para o enfraquecimento dos dentes e o aparecimento de lesões de cárie.
A proposta da OMS foi formulada com base em análises de todos os estudos científicos publicados sobre o consumo de açúcares e como ele se relaciona com o ganho de peso e com a cárie dentária em adultos e crianças.
Apesar de os problemas de saúde bucal serem muito pouco comunicados à OMS, pesquisadores dizem que o açúcar também está associado a uma alimentação mais empobrecida do ponto de vista nutricional, ao ganho de peso e obesidade, além de aumentar os riscos para doenças crônicas. O intuito desse tipo de estudo é pressionar a indústria para que novas regras sejam estabelecidas com relação à adição de açúcar à composição dos alimentos e garantir que as campanhas defendam os interesses da população – como as campanhas antitabagistas.
“Não é o açúcar que estraga os dentes. Mas, o ácido produzido quando comemos açúcares e carboidratos. Esse ácido ataca sem piedade o esmalte dos dentes, podendo resultar em lesões de cárie e outros problemas orais mais graves”, diz Sandra Kalil Bussadori, professora de Odontopediatria da EAP-APCD, Escola de Aperfeiçoamento Profissional da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas.

Matéria extraída do site da revista Consumidor Moderno.