Salgante e sais light e rosa são opções para substituir o refinado

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Protagonistas ou vilões? Sais rosa e marinho (em primeiro plano) não fazem mal, mas sempre é bom dosar

DA REDAÇÃO

O brasileiro consome tanto sódio que o problema virou uma questão de saúde pública. O excesso desse componente pode gerar uma série de consequências no nosso organismo, como hipertensão, lesão dos vasos sanguíneos, aumento do risco de infarto e de AVC, insuficiência cardíaca e doença renal crônica.

Entretanto, existem opções para quem não consegue viver sem ele. O salgante é para o sal assim como o adoçante é para o açúcar. Ele não tem sódio, a substância responsável por aumentar a pressão. É 100% cloreto de potássio. O gosto não é igual ao do sal comum, mas isso depende do paladar de cada um. Já o sal light é uma espécie de precursor do salgante. Ele tem 50% menos sódio por porção se comparado com o sal de cozinha. É feito com metade de cloreto de sódio e metade de cloreto de potássio.

Especificamente no caso dos salgantes, a recomendação é o uso com parcimônia. Fernanda de Barros Chaves, nutricionista clínica e esportiva funcional, explica que o produto foi desenvolvido para hipertensos, pois é à base de potássio. Como substitui completamente o sódio, vilão da pressão arterial, pelo potássio, nutriente encontrado em frutas e verduras que ajuda a combater doenças cardiovasculares, poderia ser uma espécie de salvação para hipertensos.

Mas não é bem assim. “Algumas marcas foram proibidas porque não estavam de acordo com as quantidades recomendadas, o que poderia causar problema em quem tem pedras nos rins”, alerta ela.

Celso Amodeo, médico da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, explica que pessoas com insuficiência renal, que tendem a acumular potássio no organismo, correm risco de morte se consumirem o salgante. “Hipertensos e diabéticos também devem ter cautela. Um terço desses pacientes pode ter algum grau de insuficiência renal. Quem tem hipertensão e toma remédios que retenham potássio (como os diuréticos poupadores de potássio e os inibidores da enzima de conversão da angiotensina) também não deve consumir o produto”.

Trocas inteligentes. O jeito, então, seria voltar para o velho sal de cozinha? Segundo a nutricionista Fernanda, não. “Esse tipo é processado, possui muitos aditivos químicos que promovem seu clareamento. Além disso, o iodo colocado é sintético, e o organismo não o absorve bem”, diz.

O sal rosa do Himalaia é o melhor, porque é bem puro, rico em nutrientes, tem até funções benéficas. Ele não se acumula tanto no organismo, tem função antioxidante e tempera. Depois dele, o sal marinho também é uma boa opção. Passou por menos processos químicos do que o sal comum, mas sua qualidade depende muito da origem”.

Meta de redução. As diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) para consumo de sódio e potássio estão fora de compasso, indica um estudo realizado em quatro países.

Como há muitos alimentos nos quais ambos os elementos estão presentes, atingir as recomendações tem sido difícil, porque a tendência geral das dietas modernas é consumir sal demais e potássio de menos.

Após fazer uma sondagem em pacientes nos EUA, no Reino Unido, no México e na França, pesquisadores da Universidade de Washington descobriram que mais de 99% das pessoas falham em cumprir as recomendações.

Os franceses, que tiveram o melhor índice, têm apenas 0,5% de sua população ingerindo níveis adequados de sódio e potássio. Os americanos, os piores, têm 0,1%.

Adam Drewnowski, médico que liderou o estudo, explica que um dos problemas é regular, por exemplo, o consumo de leite, que é uma boa fonte de potássio, mas também tem sódio. Elevar o consumo de batata também é um problema, porque muitas pessoas têm o hábito de comê-las com muito sal.

Uma maneira de ajustar o consumo de potássio, então, seria comer frutos cítricos e raízes como beterraba. Em países mais pobres, porém, isso é difícil de implementar em políticas de saúde pública, porque esses alimentos adicionam um custo extra na dieta.

Drewnowski acredita que o número de pessoas que cumprem as recomendações pode subir com uma política mais rigorosa de controle do sódio. A quantidade de sal em comida processada, por exemplo, precisa ser melhor regulamentada, porque o custo de fazer isso é menor que o de elevar o conteúdo de potássio dos alimentos. (Com Litza Mattos)

Matéria extraída do site do Jornal O TEMPO.