Tendência sustentável: Embalagem e a Economia Circular

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Por Bruno Pereira

Desde 1987 entende-se por Desenvolvimento Sustentável, “àquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades” [1]. Podemos “usar” o Planeta, mas sem estragar.

Proponentes da Economia Circular, tais como a proeminente Fundação Ellen MacArthur, fazem uma releitura dessa definição sob a ótica da Oferta & Procura: Preconizam que a insistência no Modelo Linear (extração-produção-consumo-descarte) leva à escassez de recursos naturais com resultante elevação no custo real de sua obtenção podendo chegar a níveis que afetam a ordem socioeconômica.

Sugere-se como solução substituir gradativamente os Sistemas Lineares por Circulares. A extração de recursos naturais daria lugar a ciclos de intensa reutilização, recondicionamento e reciclagem dos Nutrientes Técnicos – termo utilizado para definir os materiais produzidos pelo homem de difícil reabsorção pela natureza – bem como ao manejo dos Nutrientes Biológicos em harmonia com a biosfera. Ainda que incipiente, já existem trabalhos para o estabelecimento de métricas que indicam, por exemplo, que a economia do Reino Unido teria 19% de circularidade [2].

Embalagens – indispensáveis como são em nossa sociedade – podem contribuir enormemente para que possa ser atingida a Economia Circular. É certo que ainda faltam referências para uma definição precisa, mas já temos elementos suficientes para apontar algumas possibilidades.

Para começar podemos utilizar a embalagem para minimizar os desperdícios da cadeia na qual ela participa aliviando o ciclo dos Nutrientes Biológicos bem como reduzindo consumo de energia ao longo do processo. Essa linha de ação é particularmente relevante para bens de consumo não duráveis e pode ser exemplificada na (I) redução do desperdício de alimentos atualmente estimada em 1/3 do total que se produz no país, (II) na eliminação da necessidade de refrigeração e (III) na redução do consumo de água em atividades de preparo e limpeza.

Nessa busca por menos desperdício vale lembrar a importância de priorizar oportunidades com base no Pensamento do Ciclo de Vida bem como trazer soluções que ofereçam melhor relação custo-benefício, afinal de contas, a Economia Circular deve resultar em soluções mais competitivas no longo prazo.

Considerando a circularidade da embalagem em si, parece haver um enorme espaço para novas tecnologias e modelos de negócio que aumentem a atratividade econômica dos processos de reutilização e reciclagem. Novas tecnologias tem o potencial de (I) garantir segurança para aumentar o grau de reincorporação de embalagens nas cadeias das quais se originam, tais como alimentícia, médica e de cuidados pessoais, (II) reduzir os custos de reciclagem com maior eficiência e robustez operativa bem como (III) viabilizar a produção de produtos de maior qualidade e valor agregado a partir de matérias-prima recicladas, criando condições para que mais materiais compitam técnica e economicamente com seus contratipos virgem.

Seja por opção ou necessidade, podemos imaginar que as próximas gerações vivenciarão uma acelerada transição para a Economia Circular. E apesar de mudanças sempre serem acompanhadas por incertezas e preocupações, é confortante saber que a força impulsora é a boa e velha dinâmica econômica competitiva na qual fomos criados.

Aproveitemos esse momento de discussão para juntos com a sociedade articularmos a definição de Embalagem Circular.

1. World Commission on Environment and Development (1987). Our Common Future. Oxford: Oxford University Press. ISBN 019282080X.
2. Green Alliance Blog. http://greenallianceblog.org.uk/2012/05/24/making-the-circular-economy-a-reality/ Acessado em 13 de abril de 2015

Crédito:
Bruno Pereira, gerente de marketing para Novos Negócios e Sustentabilidade da área de Embalagens e Plásticos de Especialidade da Dow para a América Latina

Matéria extraída do site Embalagem & Tecnologia, 22 de maio de 2015.